sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

...Tempo ...Tempo ...Tempo ...Tempo


Quando a hora dobra em triste e tardo toque

E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,

Quando vejo esvair-se a violeta, ou que

A prata a preta tempora assedia;


Quando vejo sem folha o tronco antigo

Que ao rebanho estendia a sobra franca

E em feixe atado agora o vejo trigo

Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;


Sobre tua beleza então questiono

Que há de sofrer do Tempo a dura prova,

Pois as graças do mundo em abandono


Morrem ao ver nascer a graça nova.

Contra a foice do tempo é vão combate

Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.


Shakespeare

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