segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ausência


Eu deixarei que morra em mim o desejo de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto e em minha voz a tua voz

Não te quero ter porque em meu ser tudo estaria terminado
Quero só que surjas em mim como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar uma gota de orvalho desta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne como uma nódoa do passado

Eu deixarei... tu irás e encostarás a tua face em outra face
Teus dedos enlaçarão outros dedos e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu, porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei minha face na face da noite e ouvi a tua fala amorosa
Porque meus dedos enlaçaram os dedos da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência do teu abandono desordenado

Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos
Mas eu te possuirei mais que ninguém porque poderei partir
E todas as lamentações do mar, do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente, a tua voz serenizada...

Vinicius...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Quando o Amor Vacila


Eu sei que atrás deste universo de aparências,
das diferenças todas,
a esperança é preservada.

Nas xícaras sujas de ontem
o café de cada manhã é servido.
Mas existe uma palavra que não suporto ouvir,
e dela não me conformo.

Eu acredito em tudo,
mas eu quero você agora.

Eu te amo pelas tuas faltas,
pelo teu corpo marcado,
pelas tuas cicatrizes,
pelas tuas loucuras todas, minha vida.

Eu amo as tuas mãos,
mesmo que por causa delas
eu não saiba o que fazer das minhas.

Amo teu jogo triste.

As tuas roupas sujas
é aqui em casa que eu lavo.

Eu amo a tua alegria.

Mesmo fora de si,
eu te amo pela tua essência.
Até pelo que você poderia ter sido,
se a maré das circunstâncias
não tivesse te banhado
nas águas do equívoco.

Eu te amo nas horas infernais
e na vida sem tempo, quando,
sozinha, bordo mais uma toalha
de fim de semana.

Eu te amo pelas crianças e futuras rugas.

Eu te amo pelas tuas ilusões perdidas
e pelos teus sonhos inúteis.

Amo teu sistema de vida e morte.

Eu te amo pelo que se repete
e que nunca é igual.

Eu te amo pelas tuas entradas,
saídas e bandeiras.

Eu te amo desde os teus pés
até o que te escapa.

Eu te amo de alma para alma.
E mais que as palavras,
ainda que seja através delas
que eu me defenda,
quando digo que te amo
mais que o silêncio dos momentos difíceis,
quando o próprio amor
vacila.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Depois!

Depois que todos foram
E foi também o dia,
Ficaram entre as sombras
Das áleas do ermo parque
Eu e minha agonia.

A festa fora alheia
E depois que acabou
Ficaram entre as sombras
Das áleas apertadas
Quem eu fui e quem sou.

Tudo fora por todos.
Brincaram, mas enfim
Ficaram entre as sombras
Das áleas apertadas
Só eu, e eu sem mim.

Talvez que no parque antigo
A festa volte a ser.
Ficaram entre as sombras
Das áleas apertadas
Eu e quem sei não ser.

Pessoa

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
CDA

sábado, 30 de maio de 2009

Memória


Memória



Amar o perdido

deixa confundido

este coração.



Nada pode o olvido

contra o sem sentido

apelo do Não.



As coisas tangíveis

tornam-se insensíveis

à palma da mão



Mas as coisas findas

muito mais que lindas,

essas ficarão.

Inconfesso Desejo!


Inconfesso Desejo

Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo.

Para vc. DS

sábado, 4 de abril de 2009

O Velho e a Flor.

Por céus e mares eu andei
Vi um poeta e vi um rei
Na esperança de saber o que é o amor
Ninguém sabia me dizer
E eu já queria até morrer
Quando um velhinho com uma flor assim falou:
O amor é o carinho
É o espinho que não se vê em cada flor
É a vida quando
Chega sangrando
Aberta em pétalas de amor..

Parte Tua!!


Já pus de lado o tormento

De um mundo atento a não perdoar

Amantes sem fingimentos

Delirantes formas de amar

Quero cheirar a amor

Quero exalar suor

Pro dia que você for

Ficar com seu melhor

Amor apertado

Trancada com medo da rua

Se isso é pecado me puna

A culpa de amar livre e nua

Que preconceito barato

Que o cão caça o gato

Me morde e me desafia

Só meu olhar lhe arrepia.

!........?


Quem pagará o enterro e as flores

Se eu me morrer de amores?

Quem, dentre amigos, tão amigo

Para estar no caixão comigo?

Quem, em meio ao funeral

Dirá de mim: — Nunca fez mal...

Quem, bêbado, chorará em voz alta

De não me ter trazido nada?

Quem virá despetalar pétalas

No meu túmulo de poeta?

Quem jogará timidamente

Na terra um grão de semente?

Quem elevará o olhar covarde

Até a estrela da tarde?

Quem me dirá palavras mágicas

Capazes de empalidecer o mármore?

Quem, oculta em véus escuros

Se crucificará nos muros?

Quem, macerada de desgosto

Sorrirá: — Rei morto, rei posto...

Quantas, debruçadas sobre o báratro

Sentirão as dores do parto?

Qual a que, branca de receio

Tocará o botão do seio?

Quem, louca, se jogará de bruços

A soluçar tantos soluços

Que há de despertar receios?

Quantos, os maxilares contraídos

O sangue a pulsar nas cicatrizes

Dirão: — Foi um doido amigo...

Quem, criança, olhando a terra

Ao ver movimentar-se um verme

Observará um ar de critério?

Quem, em circunstância oficial

Há de propor meu pedestal?

Quais os que, vindos da montanha

Terão circunspecção tamanha

Que eu hei de rir branco de cal?

Qual a que, o rosto sulcado de vento

Lançara um punhado de sal

Na minha cova de cimento?

Quem cantará canções de amigo

No dia do meu funeral?

Qual a que não estará presente

Por motivo circunstancial?

Quem cravará no seio duro

Uma lâmina enferrujada?

Quem, em seu verbo inconsútil

Há de orar: — Deus o tenha em sua guarda.

Qual o amigo que a sós consigo

Pensará: — Não há de ser nada...

Quem será a estranha figura

A um tronco de árvore encostada

Com um olhar frio e um ar de dúvida?

Quem se abraçará comigo

Que terá de ser arrancada?

Quem vai pagar o enterro e as flores

Se eu me morrer de amores?


Vinícius...Rio, 1950

domingo, 22 de março de 2009

Canção...


Hoje eu quis fazer uma canção
Afagando teus cabelos cantar
Cantar da imensidão das coisas
Do profundo do mar... e do meu coração
Viver esse momento de te ter no colo...
E não cantar quando ele esfriar...
Guardar as canções p quando você voltar,
Quando você me desejar, quando me amar...
Pois com você vem a letra que me faz melodia e juntos formamos canção...
Você deve existir... em algum lugar... não só aqui...
Não quero ter que materializar você sempre...
Quero a carne aqui, viva, com alma, sendo uni a mim.
E assim soar pela abóboda da vida.
Minha musica, minha letra, minha vida.




Higo de Almeida Lira 23/03/09

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009


Oh! EU quero viver, beber perfumes

Na flor silvestre, que embalsama os ares;

Ver minh'alma adejar pelo infinito,

Qual branca vela n'amplidão dos mares.

No seio da mulher há tanto aroma...

Nos seus beijos de fogo há tanta vida...

- Árabe errante, vou dormir à tarde

À sombra fresca da palmeira erguida.



Mas uma voz responde-me sombria:

Terás o sono sob a lájea fria.



Antonio Castro Alves

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Seu!! Eu e o Meu.


ai se eu tivesse

quem bem me quisesse

nem ao certo seria

ao avessos nao me encontraria

nem de noite nem de dia ..

seria todo dia .. dia somente...

de alegria .. nada de sangue ...

só nao mangue ...

alegria frutificaia em meu coração

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009


Queria ver por seus olhos

lá dentro, no fundo de vc

tudo que te agrada...

pra poder me transformar,

ser teu desejo um instante,

tua prenda um minuto

tua alegria, uma hora, quem sabe...

teu trabalho um dia;

teu sonho uma noite...


Queria mais de ti...

em mim...

em nós...

se te odeio um momento

amo-te mais nos porvires!!!


Tudo isso...

So pra saber...

Se possuo teus pensamentos...

Se ainda pensas em mim...

em mim!


Olhos fechados

Prá te encontrar

Não estou ao seu lado

Mas posso sonhar

Aonde quer que eu vá

Levo você no olhar

Aonde quer que eu vá

Aonde quer que eu vá...


Não sei bem certo

Se é só ilusão

Se é você já perto

Se é intuição

E aonde quer que eu vá

Levo você no olhar

Aonde quer que eu vá

Aonde quer que eu vá...


Longe daqui

Longe de tudo

Meus sonhos vão te buscar

Volta prá mim

Vem pro meu mundo

Eu sempre vou te esperar

Lará! Larará!...


Não sei bem certo

Se é só ilusão

Se é você já perto

Se é intuição

E aonde quer que eu vá

Levo você no olhar

Aonde quer que eu vá

Aonde quer que eu vá...


Lá! Larará! Larará!Lá!

Larará! Larará!

Aonde quer que eu vá

Lá! Larará! Larará!Lá!

Larará! Larará!Lá!

Larará! Larará!

Aonde quer que eu vá...

domingo, 11 de janeiro de 2009

10 Dicas da Naty para conseguir um amor!!! Dá certo ein...kkk



01. Seja higiênico: tome banho todos os dias.

02. Use uma combinação legal de vestuário.

03. Use desodorante, colônia, perfumes e derivados, sempre.

04. Perca a timidez e a vergonha: converse com o espelho.

05. Ser social e popular é diferente de ser inconveniente.

06. Não seja vulgar, nem prepotente. Seja humilde.

07. Aprenda a dançar forró, dança de salão etc.

08. Converse com calma e não cometa

09. Mantenha-se atualizado.

10. Seja bonito e atraente

sábado, 10 de janeiro de 2009

Versos Íntimos


Versos Íntimos


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável

Enterro de tua última quimera.

Somente a Ingratidão - esta pantera -

Foi tua companheira inseparável!


Acostumate à lama que te espera!

O Homem, que, nesta terra miserável,

Mora entre feras, sente inevitável

Necessidade de também ser fera.


Toma um fósforo. Acende teu cigarro!

O beijo, amigo, é a véspera do escarro,

A mão que afaga é a mesma que apedreja.


Se a alguém causa inda pena tua chaga,

Apedreja essa mão vil que te afaga,

Escarra nessa boca que te beija!


Augusto dos Anjos

Esta Gente


Esta gente

Esta gente cujo rosto

Às vezes luminoso

E outras vezes tosco


Ora me lembra escravos

Ora me lembra reis


Faz renascer meu gosto

De luta e de combate

Contra o abutre e a cobra

O porco e o milhafre


Pois a gente que tem

O rosto desenhado

Por paciência e fome

É a gente em quem

Um país ocupado

Escreve o seu nome


E em frente desta gente

Ignorada e pisada

Como a pedra do chão

E mais do que a pedra

Humilhada e calcada

Meu canto se renova

E recomeço a busca

De um país liberto

De uma vida limpa

E de um tempo justo


Sophia Andersen

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Quem sou eu ...

Quem sou eu além daquele que fui?

Perdido entre florestas e sombras de ilusão

Guiado por pequenos passos invisíveis de amor

Jogado aos chutes pelo ódio do opressor

Salvo pelas mãos delicadas de anjos

Reerguido, mais forte, redimido,

Anjos salvei

Por justiça lutei

E o amor novamente busquei




Quem sou além daquele que quero ser?

Puro, sábio e de espírito em paz

Justo, mesmo que por um instante,

Forte, mesmo sem músculos,

E corajoso o suficiente para dizer “tenho medo”




Mas quem sou eu além daquele que aqui está?

Sou vários, menos este.

O que aqui estava, jamais está

E jamais estará


Sou eu o que fui e cada vez mais o que quero ser

Mudo, caio, ergo, sumo, apareço, bato, apanho, odeio, amo…

Mas no momento seguinte será diferente

Posso estar no caminho da perfeição

Cheio de imperfeições


Sou o que você vê…

Ou o que quero mostrar.

Mas se olhar por mais de um segundo,

Verá vários “eus”,

Eu o que fui, eu o que sou e eu o que serei.




Christian Gurtner

...Tempo ...Tempo ...Tempo ...Tempo


Quando a hora dobra em triste e tardo toque

E em noite horrenda vejo escoar-se o dia,

Quando vejo esvair-se a violeta, ou que

A prata a preta tempora assedia;


Quando vejo sem folha o tronco antigo

Que ao rebanho estendia a sobra franca

E em feixe atado agora o vejo trigo

Seguir o carro, a barba hirsuta e branca;


Sobre tua beleza então questiono

Que há de sofrer do Tempo a dura prova,

Pois as graças do mundo em abandono


Morrem ao ver nascer a graça nova.

Contra a foice do tempo é vão combate

Salvo a prole, que o enfrenta se te abate.


Shakespeare

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Anjo Esquecido!!


Talvez que o anjo esquecido,
O anjo da poesia,
Se tenha de mim perdido
Sem reparar que o fazia...
Por isso me faltam asas
E me sobejam as penas
De um desejo inalcançado:
Que eu gostava de voar
Até ao anjo perdido
O anjo de mim esquecido,
Que por mim é tão lembrado.
Ai se eu tivesse voado
Aonde queria voar
Não estava agora a rimar
Versos de asas cortadas.
Voava junto de si
Assim fico aonde me vê
Mesmo pregadinha ao chão
Com asas de papelão
E sem entender porquê.
Pois a uns faltam-lhe asas
Mas por ter asas cortadas
Sofrem uns e outros não?
Eu tenho sofrido muito
Nos meus voos ensaiados
Que ao querer sair do chão
Ficam-me os pés agarrados,...
E por falar dos pés
Com versos de pés quebrados
perdoe lá a quem os fez
Pelo mal dos meus pecados
Só os fiz por timidez
Que tenho em me dirigir
A quem tem por lucidez
Razão para distinguir
O bom e o mau Português.
Assim à minha maneira
Aqui venho responder
Desta forma tão ligeira
Que a sério não pode ser!



Amália Rodrigues